Conforto acústico · 8 min de leitura
Conforto acústico no escritório: o que a NR-17 e as pesquisas dizem
Só 35% dos profissionais estão satisfeitos com o ruído do escritório. Veja o que a NR-17 pede, o que as pesquisas mostram e onde entram zonas, divisória acústica e cabine.
Publicado em · atualizado em · por MyOffice

Conforto acústico no escritório é ter silêncio para concentrar-se e liberdade para conversar, sem que uma coisa atrapalhe a outra. No levantamento da Leesman de março de 2026, só 35% dos profissionais estão satisfeitos com o ruído do próprio escritório, embora 89% digam que o trabalho individual focado é uma atividade importante. A NR-17 já exige medidas de controle do ruído onde o trabalho pede atenção constante, e as pesquisas mostram onde o problema costuma estar.
O que é conforto acústico e o que a NR-17 pede
O item 17.8.4 da NR-17 no gov.br manda adotar medidas de conforto acústico e térmico nos ambientes internos em que o trabalho exige atenção e solicitação intelectual constantes, o que descreve boa parte do trabalho de escritório. A organização deve controlar o ruído para dar conforto acústico nas situações de trabalho (17.8.4.1). O ruído de fundo deve respeitar os valores de referência que as normas técnicas oficiais fixam para cada uso do ambiente (17.8.4.1.1). Nos demais casos, o aceitável é até 65 dB(A), em nível de pressão sonora contínuo equivalente, a média do som ao longo da medição (17.8.4.1.2).
O item não cita a norma técnica pelo número. Um acústico confirma qual versão vale para cada sala. Os 65 dB(A) são o teto aceitável da norma. O escritório aberto do estudo da UFPR, mais abaixo, ficou entre 64,9 e 67,2.
O que as pesquisas mostram sobre o barulho no plano aberto
A Leesman publicou, em março de 2026, um levantamento com 601.570 respostas, coletadas entre o primeiro trimestre de 2022 e o terceiro de 2025. É a base do número de 89%. O nível de ruído importa para 70% dos profissionais, e só 35% estão satisfeitos com ele. Nos escritórios com o selo Leesman+, dado aos mais bem avaliados da base, a satisfação com o ruído chega a 45%, dez pontos percentuais acima da média e ainda abaixo da metade. É pesquisa de percepção: mede o que as pessoas sentem, não o volume do som.
Kim e de Dear, no Journal of Environmental Psychology, em 2013, analisaram 42.764 respostas de ocupantes de 303 edifícios de escritório, do banco de dados da Universidade da Califórnia em Berkeley. As salas privadas ficaram à frente do plano aberto na maior parte dos itens, em especial acústica e privacidade. A privacidade sonora foi o ponto com mais insatisfeitos: 59% nas baias com divisória alta e 58% nas de divisória baixa, contra 49% nos layouts sem divisória ou com divisória limitada. Estar satisfeito com a facilidade de interação elevava a satisfação geral com o posto em 0,21 ponto, numa escala de sete. Estar insatisfeito com o ruído a reduzia em 0,41, e com a privacidade visual, em 0,46. O ganho de conversa não compensou a perda. São respostas a questionários, e o dado mostra associação, não causa.
No estudo finlandês de Kaarlela-Tuomaala e colegas, 31 profissionais que trabalhavam em salas individuais passaram para escritórios abertos com mais de 20 pessoas e responderam ao mesmo questionário antes e depois. A perda de desempenho que atribuíam ao ruído dobrou. O nível médio de ruído ao longo do dia não mudou; caiu de forma significativa a privacidade da fala. O trabalho que exige raciocínio e as conversas por telefone foram os mais prejudicados. A amostra é pequena e os dados são autoavaliações. O resultado sugere que o problema está em ouvir a conversa dos colegas, e não num ruído médio mais alto.
Som direto e som refletido: por que só forrar o teto não basta
O estudo da UFPR sobre um escritório panorâmico real mediu de 64,9 a 67,2 dB(A), com o ruído concentrado de 500 a 2.000 Hz, a faixa da fala. O tempo de reverberação, que é quanto o som continua ecoando depois que a fonte para, ficava entre 1,25 e 1,31 s, contra o máximo de 0,5 s tomado como referência. Os pesquisadores triplicaram a área de absorção com forro absorvente no teto e em parte das paredes. O nível caiu cerca de 5 dB(A), para 61,0 em média, e a reverberação diminuiu mais de 50%, para 0,57 s em média. O ambiente passou a ser aceitável pela norma da época, mas ainda não confortável.
Para baixar mais, dizem os autores, é preciso reduzir o som direto, aquele que vai da boca ao ouvido sem bater em nada: com barreiras, distância entre quem fala e quem ouve, menos fontes de som e menos potência nelas. O forro absorve o som refletido, e o direto independe dele. É um escritório só, num estudo publicado em 2009, com as normas daquela época.
O tratamento do ambiente, com forro e painéis, fica no projeto do arquiteto e na obra. O mobiliário atua do outro lado: barreira, distância e fechamento.
Divisória acústica, cabine e sala fechada: o que cada uma resolve
| Solução | Atua sobre | O que a pesquisa mostra |
|---|---|---|
| Zonas e distância entre equipes | Som direto | Na Leesman, as maiores diferenças entre satisfeitos e insatisfeitos com o ruído estão no espaço entre áreas de trabalho (56 pontos percentuais), no movimento de pessoas ao lado da estação (55) e nas divisórias entre mesas (52) |
| Divisória de baia | Privacidade visual | Em Kim e de Dear, melhorou a privacidade visual, não a sonora; a insatisfação com a privacidade sonora foi quase igual com divisória alta (59%) e baixa (58%) |
| Divisória acústica parcial | Decaimento da fala no salão | No estudo da Unisinos, aumentou o decaimento da fala e reduziu a reverberação; a falta de tratamento nas superfícies da sala limitou o efeito |
| Cabine acústica e meeting box | Tira a conversa do salão | Ligações estão entre as atividades mais prejudicadas pelo ruído (estudo finlandês) |
| Vidro duplo e sala fechada | Fecha a conversa e mantém a luz | 18% dos ocupantes de salas privadas estavam insatisfeitos com a privacidade sonora; os autores ligam, como hipótese, às paredes leves das obras comerciais |
| Forro e painéis absorventes | Som refletido e reverberação | UFPR: cerca de 5 dB(A) a menos e reverberação reduzida a menos da metade |
Kim e de Dear mostram que as divisórias de baia não seguram a conversa do posto ao lado. O banco de dados deles não descreve o material das divisórias, então não dá para concluir nada sobre painéis de feltro. Já a divisória acústica parcial, no estudo experimental da Unisinos em escritório de planta livre, aumentou o decaimento da fala e reduziu a reverberação. O mesmo estudo mostra o limite: a falta de tratamento adequado nas superfícies da sala reduziu o efeito, e o escritório não chegou à qualificação acústica desejada.

Como organizar o escritório para ter conforto acústico
Nenhuma das pesquisas acima testou um produto de mobiliário da MyOffice, e por isso este texto não promete número de redução de ruído. O que elas sustentam são decisões de distribuição e de mobiliário.

- Zonas de foco e de conversa. A própria Leesman recomenda variedade de espaços: áreas de colaboração, bibliotecas silenciosas e salas pequenas para ligações. As estações de foco ficam juntas, longe da copa e da circulação. É uma decisão de layout do escritório.
- Distância entre equipes. Quem vive ao telefone fica longe de quem analisa e escreve, e o corredor passa longe das estações.
- Cabines acústicas e meeting box para ligações e videochamadas.
- Divisória de vidro duplo para reuniões, com atenção ao fechamento da sala inteira.
- Divisória de feltro e divisória acústica nas estações de trabalho, depois das zonas e da distância, e não no lugar delas.
- Tratamento do ambiente combinado com o arquiteto e medição antes e depois. O estudo da UFPR mediu os dois momentos e por isso pôde dizer quanto mudou.
O ruído é um dos itens da NR-17, a norma de ergonomia. Veja o que ela pede da cadeira, da mesa e do monitor em ergonomia no trabalho.
Perguntas frequentes
Qual é o nível de ruído aceitável em um escritório?
A NR-17 manda seguir os valores das normas técnicas para cada uso do ambiente e, nos demais casos, aceita ruído de fundo de até 65 dB(A). Um estudo da UFPR mediu de 64,9 a 67,2 dB(A) num escritório aberto real e considerou os valores muito elevados. Um acústico confirma a norma vigente para cada sala.
Cabine acústica vale a pena no escritório?
Vale onde há muita ligação e videochamada. Num estudo finlandês, as conversas por telefone estiveram entre as atividades mais prejudicadas pelo ruído. A cabine acústica tira a conversa do salão e dá a quem fala um lugar fechado. Ela não substitui zonas de foco nem distância entre equipes, e este texto não promete decibéis.
A divisória acústica resolve o barulho do plano aberto?
Ajuda, mas sozinha não basta. Uma pesquisa da Unisinos mostrou que divisórias acústicas parciais aumentaram o decaimento da fala e reduziram a reverberação, porém a falta de tratamento nas superfícies da sala limitou o efeito. Em outro estudo, a insatisfação com a privacidade sonora foi quase igual com divisória de baia alta (59%) e baixa (58%).
Qual é a diferença entre absorver e isolar o som?
Absorver reduz o eco e o som refletido dentro do ambiente, com forro e painéis. Isolar impede a passagem do som entre ambientes, com parede, vidro duplo e porta. O som direto, que vai da boca ao ouvido, só cai com barreira, distância ou menos fontes, segundo os autores do estudo da UFPR.
O barulho afeta o desempenho de quem trabalha?
As pesquisas indicam que sim, pela percepção das pessoas. Num estudo finlandês com 31 profissionais, a perda de desempenho atribuída ao ruído dobrou após a mudança para o escritório aberto. Na Leesman, o ruído importa para 70% dos profissionais e só 35% estão satisfeitos com ele. Em ambos os casos são autoavaliações.
Para definir zonas, cabines e fechamentos junto com o arquiteto, fale com a MyOffice pelo WhatsApp (11) 3885-5858 e leve o projeto ou a planta do escritório.
